Cuba Libre

datePosted on 15:53, novembro 19th, 2009 by Lou Mello

No fim dos anos sessenta e década de setenta (século passado) tomei muita Cuba Libre, ou como se costuma dizer em Havana, uma mentirita. Naquela época, tinha bem presente, ainda, toda a história da revolução cubana, com seus líderes exóticos Fidel Castro e Che Guevara . Enquanto saboreava essa deliciosa bebida, reverenciava a libertação de Cuba das mãos sujas de Fulgêncio Batista e seu apoio norte americano, com cara de satisfação.

Mal sabia eu, naquela época, que viriam os dias em que tomar Cuba Libre representaria reivindicar a libertação do povo cubano, novamente, agora de Fidel e seu irmão.

De fato, Fulgêncio e sua turma adepta a um bom joguinho, regado a run, mulheres fáceis e charutos foram banidos do pequeno solo da ilha. Avanços como uma medicina e um ensino menos capitalista e de surpreendente eficácia surgiram para espanto global. Os charutos permaneceram.

A Igreja ou a liberdade religiosa, se não foi banida, também nunca foi incentivada pela dinastia Castro (hoje Cuba está sob o jugo do ditador Raul Castro, irmão de Fidel, adoentado), tornou-se uma manifestação tolerada e muito vigiada. Meu amigo, com quem não falo pessoalmente há anos, Zigfried Zils, depois que saiu da Missão Portas Abertas, onde trabalhamos juntos, iniciou um trabalho intenso de apoio à igreja cristã em Cuba, por mais incrível que pareça.

Tenho acompanhado o esforço da companheira Yoany Sanches, uma blogueira cubana que escreve desde Havana e através de amigos na Europa publica seus posts e mantém um blog muito intenso sobre a falta de liberdade do povo cubano, sobretudo, em utilizar a Internet sem restrições. Resolvi, inclusive, acrescentar o símbolo da luta dos irmãos cubanos, aqui na Gruta.

Entretanto, preocupa-me toda essa conversa pró Fidel, na qual o presidente Venezuelano Hugo Chaves largou na frente e foi seguido por Morales da Bolívia e Rafael Correa do Equador. O próximo candidato a entrar nessa fila é o cara do Paraguai, Fernando Lugo, notabilizado por ser um eficiente fazedor de filhos com mulheres pobres e desinformadas. Sorrateiramente, vejo nosso presidente engajado nessa opção (a de Fidel e não a do Lugo, ao que se saiba), mas sem sair do armário. Sua candidata preferida só faltou desnudar-se quando se viu frente a frente com o bolivariano do norte e só não o fez porque poderia por tudo a perder, imagino.

Seguindo o raciocínio castrista e mentor dessa camarilha toda, ao invés de caminharmos para uma Internet livre, a vontade geral é trancafiar nossas línguas, digo penas, ou melhor, teclados, nas mais altas masmorras e impedir que fiquemos por aí incomodando os modernos caudilhos das Américas com nossas manias de liberdade e democracia cibernéticas.

Na verdade, estou me lixando para bobagens como dinheiro que descobre nossas misérias, para cobrir as sofreguidões vizinhas e acenos de pró lenços vermelhos nos pescoços. Se estivesse na Missão Portas Abertas ainda, estaria gastando toda aquela montanha de grana que eles arrecadam anualmente em denunciar o perigo que essa gentalha representa à liberdade religiosa, ao invés de ficar caçando muçulmanos sob critérios dados pelos americanos da outra América. Tão pouco estou me importando com a igreja organizada, essa abominação que nos assola e mais nos afasta de Deus, mas minha profecia mira muito mais abaixo, ou seja, a plena liberdade para a igreja que se reúne na Caverna, ou na Gruta e se move via WEB.

E aí? Vai uma Cuba Libre?

lousign

Uma vida de propósito

datePosted on 16:33, novembro 18th, 2009 by Lou Mello

Sei que esse negócio dos propósitos está na moda. Também pensei em escrever um livro sobre isso, ou pelo menos com um título incluindo a palavra. A tentação vinha na direção de uma espécie de palavra mágica capaz de enriquecer quem a utilizasse de forma correta. Aí, fiquei com a idéia de uma espécie de salvação da lavoura, escrever algo com propósitos no título viria responder minhas orações clamatórias por boas finanças, mesmo que o livro não tivesse propósito algum.

Folheando um desses “com propósitos” existentes em profusão, talvez o mais famoso, me dei conta de que o autor confunde alho com bugalhos. É sim, para ele propósito e significado quer dizer a mesma coisa. De cair o queixo. Convivi com dois homens de Deus (Russell P. Shedd e Dale W. Kietzman) que compreendiam o significado da palavra propósito. Na verdade, tudo na vida deles é encaminhado em cima de algum propósito. O capítulo “Proposição de um sermão”, parte do curso de pregação expositiva do Dr. Shedd (Karl Lachler foi o seu maior divulgador entre nós) foi elucidativo e mostrou-se eficaz em todas as áreas de nossas vidas e o capítulo sobre planejamento estratégico do Dr. Dale, iniciado pelo tema “O Propósito” foram contundentes para mim, em termos de significado da palavra e seus reflexos em nosso viver. Para piorar as coisas, o Zenon Lotufo me colocou diante de Viktor Frankl e sua busca por um significado de vida, isso arrebentou minhas perspectivas, especialmente por me levar à triste conclusão que minha vida era sem significado qualquer, ao menos, algo contendo alguma relevância.

Talvez se eu tivesse estabelecido algum propósito desde o início, mas o que fiz foi quase estabelecer o propósito de jamais fazê-lo. Nesse caso, acusar o criminoso de crime doloso será mais acertado. Fiz de propósito.

Parte água do planeta

datePosted on 11:20, novembro 17th, 2009 by Lou Mello

Pareço ter uma vocação inata para o anarquismo. Paralelamente ao meu esforço de ser igreja e não ter igreja, enquanto vivemos Cristo em nossa Gruta global, estou identificando outras áreas a serem devidamente anarquizadas, constantemente.

Outro dia, o polêmico e imbecil presidente venezuelano falou para seu povo tomar banho em três minutos a fim de economizar água. Logo, ou concomitantemente, a ONG SOS Mata Atlântica abraçou a  causa da economia de água e iniciou campanha apregoando a, também,  imbecil idéia de fazer xixi no banho, aqui na parte água do planeta. Também não é demais lembrar aquela idéia que eu dei ao Guilherme Arantes quando estudávamos no Vocacional Oswaldo Aranha, do nosso Planeta Água :) , vivemos cercados de água por todos os lados.

Que catso é isso? Ninguém agüenta mais falar em excesso de água por aqui. Estamos a um mês da estação das águas e para onde olhamos é só água. Estou imaginando como será quando as chuvas chegarem de verdade. Fora esse detalhe tolo, sabidamente, temos a maior reserva de água do planeta, coisa que se alterará com a extração de petróleo, não sei se para mais ou para menos.

Os povos do hemisfério norte estão preocupados com o fim de suas reservas de água. Estados Unidos, China e Europa podem ficar sem ela, nos próximos milênios. Nós, se não precisarmos suprir a falta deles, teremos água por muito mais tempo. Não nos foi necessário descer nem às nossas reservas freáticas, exceto ocasionalmente. O máximo que vimos por aqui foi a diminuição de nossas reservas de superfície.

Então por que falar em racionamento e economia dessa natureza grotesca? Isso me soa tão ridículo como essas tolices sobre responsabilizar meu desodorante e minha geladeira pelo buraco na camada de ozônio. Pô, não serei capaz de produzir nem  uma particulazinha de gás capaz de causar qualquer estrago na camada de ozônio, com meus espirros desodorizantes ou com a pobrezinha da minha máquina de guardar alimentos antes de jogá-los no lixo, se usá-los a minha vida inteira, mesmo que viva para semente. Pessoal não tem idéia de quantos megatons são necessários para um estrago desses. Desodorantes, geladeiras e fogo no mato são ruins, mas estão a milhões de anos luz distantes de ser a causa verdadeira do fenômeno. Cosmólogos e Astrônomos devem rir a pampa dessas imbecilidades.

O planeta está aquecendo porque está em orbita ligeiramente mais próxima do sol e se aproximará ainda mais. É um fenômeno que ocorre em eras. O sol, e seus milhões de megatons, tem a capacidade necessária para furar nossa camada de ozônio. Sem falar como profeta do apocalipse, levantando evidências bíblicas de minhas insinuações anárquicas e nada politicamente corretas.

Enfim, você é livre para decidir acreditar no que desejar. Se preferir a imbecilidade, os imbecis estão defendendo suas insanidades nesse vídeo, para nosso deleite.

Recompensados

datePosted on 13:06, novembro 15th, 2009 by Lou Mello

Dessa vez não posso falar apenas sobre a semana passada, afinal, há mais de um ano não publicamos nada nessa série. Mas tenho uma boa desculpa, o Khalil foi encarregado de algumas missões estratégicas em solo muçulmano. Começou na faixa de Gaza, depois foi ao Iraque e ao Afeganistão e uma das regras a seguir, nessas ocasiões, é o blackout total de informações, por questões de segurança. Assim que retornou a Jerusalém, conversamos longamente pelo Skype e ele aproveitou para me mandar esse texto, dando continuidade, então. Vamos lá, bíblias nas mãos e óculos nos rostinhos lindos. Mãos à obra. Abram em Mateus 5:11 e 12.

“Bem aventurados serão vocês quando, por minha causa, os insultarem, os perseguirem e levantarem todo tipo de calúnia contra vocês. Alegrem-se e regozijem-se, porque grande é a sua recompensa nos céus, pois da mesma forma perseguiram os profetas que viveram antes de vocês.

Então o Senhor fez essa síntese sobre as bem-aventuranças, sobretudo enfatizando não haver dor, sofrimento ou angústia por causa dele que não venha a ser recompensada. Fez mais, deixou claro que essas recompensas estariam depositadas no banco celestial em nossos nomes. Elas são pessoais e intransferíveis.

Certa vez, o Lou foi vitima de uma grande perseguição. Aconteceu no tempo em que foi diretor de creches na prefeitura de São Paulo e a razão era sua opção cristã. Ele nunca foi do tipo proselitista. Incansavelmente nos ensinava que deveríamos deixar o evangelho do Senhor Jesus ser anunciado através de nossa generosidade, de nossas ações em favor do próximo, de nossa gentileza e cavalheirismo. Nisso se esforça, pessoalmente, o que muito lhe tem custado. Nada poderia ter irritado mais aquela gente e, pouco a pouco, o ódio se transformou em ações persecutórias até a completa exoneração de meu melhor amigo daquele trabalho, que ele fazia com total empenho, sempre honrando o nome do Senhor.

Sei que novas dores têm sobrevindo sobre ele, ultimamente, mas seu saldo no banco celeste deve estar altíssimo, em compensação. Não pense você que ele vive pelos cantos chorando sua miséria. Continua o mesmo gozador de sempre. Uma de suas frases favoritas em meio ao sofrimento sempre foi: “Oba! Meu crédito no céu ficou maior hoje” ou “Acabo de ganhar mais uma medalha de ouro, está bem aqui em meu peito… do lado de dentro”.

Não importa o que pensa a justiça humana. Sofreu por causa de Jesus, mesmo que seja uma simples vergonha aqui ou ali, plim plim, sua conta foi creditada lá em cima, sem qualquer burocracia, nem mesmo um carimbinho básico de algum oficial calhorda. Tem mais, não pense que o Mestre estava falando só das grandes ações ministeriais ou missionárias, ele considera cada lágrima em seu rosto como um sofrer em nome dele, afinal ele pensa em você como sendo dele, acredite.

Está doendo? Plim, plim, seu crédito acaba de crescer no Banco gerenciado por nosso Senhor Jesus Cristo, fora o novo troféu na prateleira.

Leia mais em O Evangelho Segundo Khalil:

1- A Testemunha Trans-secular

2. O meu grande amor

3. Uma Grande Luz

4. Pescadores de Homens

5. Levou sobre si as nossas dores

6. A felicidade maltrapilha

7. Lágrimas Valorosas

8. Os famintos

9. Os Misericordiosos

10. Corações purificados

11. Os Pacificadores

12. Perseguidos

13. Recompensados

לּהּמּ



Ansiedade e Medo

datePosted on 10:38, novembro 14th, 2009 by Lou Mello


Por Adriel D. V.

O trecho abaixo é por si só explicativo, ainda, a ansiedade pode aqui ser perfeitamente compreendida também como angústia.

A mente humana é não só, como disse Calvino, uma fábrica permanente de ídolos, é também fábrica permanente de medos – a primeira visando evitar Deus, a segunda visando escapar à ansiedade; e há uma relação entre as duas. Pois olhar de frente o Deus que é na verdade Deus significa também olhar de frente a ameaça do não-ser. O “absoluto nu” (para usar uma expressão de Lutero) produz a “ansiedade nua”, porque é a extinção de qualquer auto-afirmação finita, e não um possível objeto de medo e coragem. Mas, basicamente, as tentativas de transformar ansiedade em medo são vãs. A ansiedade básica, a ansiedade de um ser finito ante a ameaça do não-ser, não pode ser eliminada. Pertence à existência mesma.

A coragem de ser. Tillich, Paul. Paz e Terra: 1967.

Esse post foi surripiado sem qualquer autorização prévia (como é meu costume) de Adriel, dono do excelente blog Eterno Retorno.

Alta Ansiedade from Guilherme Sagas on Vimeo.

Um curador ferido

datePosted on 10:06, novembro 13th, 2009 by Lou Mello


“Não existe nenhum remédio mais eficiente, descobri, do que aquilo que Henri Nouwen chama “um curador ferido”. Bem aventurados são os que choram, pois serão consolados.”

Philip Yancey em O Jesus que eu nunca conheci

Pergunta-se muito por aí sobre a razão de tanto sofrimento e dor. A maior parte deve-se às causas conhecidas, como o pecado, tão desprezado hoje em dia, e suas conseqüências. Entretanto, Deus em sua proverbial sapiência elegeu alguns (para delírio calvinista) sofredores para o ofício sacrossanto de curador ferido. Sabe aquela história que o apóstolo Paulo descreveu como: consolando com as mesmas consolações com que fostes consolados. Deus é um judeu em potencial e, como tal, não costuma dar ponto sem nó. Cada consolação custa o preço de consolar outros em aperto, quando esses aparecerem em nosso caminho, provavelmente.

Creio poder afirmar que nunca recebi consolo consciente de alguém cuja experiência não incluísse cicatrizes na alma e no corpo. Alguns imaginam que uma temporada em algum seminário de luxo ou não pode dar alguma capacidade ministerial. Ledo engano. Aliás, quando o baiano busca experiência nesses centros, pode não ser um bom sinal. Melhor confiar naqueles que diariamente enfrentam a lide no Farol da Barra ou nas plantações de cacau. Gente capaz de lhe ajudar, de fato, tem marcas nas mãos e não milongas na língua.

A cada novo consolo, temo o que poderá atravessar meu caminho, logo ali à frente. Uma pessoa doente, alguém acaba de perder um ente querido, para a morte ou para outrem, uma falência aqui e uma injustiça danada acolá. Então me lembro de minhas próprias dores e de como fui consolado, nem que tenha sido através do silêncio do tempo ou da mais completa sensação de abandono presencial de Deus, como aconteceu a Jesus de Nazaré quando se viu pendurado naquela cruz infame dos não menos infames romanos, devidamente aprovados pelos sacerdotes judaicos.

Provavelmente, era a isso que o Mestre se referia quando disse para tomarmos nossa cruz e seguir a dele. Nada contra o saber, em muitos casos ou na maioria, extremamente necessário, mas um bom pescador se faz no mar.

lousign

O penetra Naum

datePosted on 09:53, novembro 12th, 2009 by Lou Mello

Ontem passei o dia em São Paulo, mais especificamente no escritório de um dos meus “dois” clientes de informática. Fui re-ligar a rede, depois da passagem do funcionário da Telefonica por lá, e cuidar de outros detalhes. Imagine que o fulano ofereceu-se para fazer esse serviço por meros R$ 40,00, ou seja, quarenta mangos para desplugar o cabo de um computador e plugá-lo no Roteador ao lado. Também deixou o número do celular dele anotado no verso da ordem de serviço, para qualquer eventualidade cibernética, sem falar que a empresa oferece serviços de manutenção em redes a R$ 7,00 por mês. Mas o que sempre me incomoda é a ética vigente, hoje, ou algo assim.

Durante a tarde, precisei sair para comprar um estabilizador de voltagem e, ao sair, pedi ao meu amigo cliente para solicitar o disco de instalação da impressora nova ao fornecedor, para poder instalá-la quando voltasse, pois o mesmo não fora entregue junto com a máquina. Ao voltar, encontrei um cara aborboletado em frente ao computador, coisa comum em um escritório, mas não era nenhum dos funcionários e sim alguém de fora. Logo o Adalberto apareceu e me informou tratar-se do Naum, um cliente que, segundo ele, “mexe com informática” e que estaria instalando a impressora, baixando os drivers de instalação via Internet, coisa que eu já fizera, mas preferia instalar os originais, obviamente.

Ficamos só os dois na sala e o Naum me informou que voltara a usar a Internet via cabo naquele computador ( reparei que o adaptador wireless que eu implantara na máquina, jazia sobre a mesa)  por achá-la mais “confiável” e emendou um discurso dizendo que o Dr. Adalberto precisava de  sigilo (coisa que eu jamais teria imaginado) e que a rede Wireless (que eu acabara de instalar com muito esforço e  dedicação) expunha as informações aos outros condôminos do prédio (o que está longe de ser verdade, quando você não a torna pública) e que o melhor era deixar a rede “a cabo”, mesmo com os cabos “enfeitando” as paredes e o chão do escritório. Afirmou que o roteador que eu adquiri com grande carinho lá no maior Shopping de Informática da América Latina, o Santa Ephigênia, era de segunda linha e se eu desejasse mesmo adquirir um bom roteador, deveria escolher um da marca tal (não me lembro o nome citado), mais caro e bem melhor, na opinião dele (embora o Bill Gates e eu não concordemos).

Ainda gastou um bom tempo me dando orientações sobre como um velhinho feito eu deveria trabalhar com informática, ou seja, concluindo pelas palavras e atitudes dele, o melhor seria desistir imediatamente, particularmente, do Dr. Adalberto, provavelmente, na mira do mancebo. Claro que não perguntei nada ao cidadão, mas imaginei que tudo aquilo já fora dito ao meu cliente, previamente.

Nada disso importa muito, meu ponto aqui é como há idiotas desnecessários  (c0ntradizendo a sabedoria de Nelson Rodrigues) nesse mundo de Deus, todos com ousadia suficiente para se meter no meu trabalho, sem nunca haver me visto antes mais gordo (10 kgs) ou mais magro (uns 30 kgs). Atualmente, tenho esses únicos e remanecentes “dois” clientes de informática, o próprio Adalberto e o Pr. Neto. Há um terceiro, mas é um “não pagante” e mais esporádico. Mesmo assim, me aparece “alguém” querendo roubá-los, usando essa tática ridícula de desmerecer meu trabalho. Como diz o provérbio perdido, “não há como desmerecer alguém, sem enaltecer a si próprio”.

Ao longo de minha vida, em todas as áreas, fui vitima desses pilantras, seja no ministério, na carreira de professor (tanto de Educação Física, como de teologia), como empresário, na consultoria, no papel de mecânico de computadores, etc. Sempre me apareciam esses ladrões de trabalho e todos eles iniciavam sua prática através desse comportamento anti-ético. Ainda hei de escrever um livro sobre os Nauns desse mundo e garanto que será um livro bem gordo. Se incluir as outras areas da vida, o livro terá mais de oitocentas páginas.

Voltei a rede do Adalberto para o sistema a cabos. Sei muito bem que se deixasse no modo wireless e algo acontecesse o Naum ficará com os louros e isso eu não tolerarei. Saí de lá só com a grana da condução, pois não poderia cobrar nada por “desfazer” um serviço e ainda tive que “engolir” um teclado Microsoft que adquiri desnecessariamente, esse que agora estou usando para escrever-lhes, muito bom por sinal. E o Adalberto ainda observou cheio de razão: “gastei dinheiro a toa”. Da próxima vez que me ligar, a primeira coisa que perguntarei é: E o Naum, como vai?

O Penetra

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Dona Tereza

datePosted on 12:44, novembro 10th, 2009 by Lou Mello

Quero apresentar-lhes Dona Tereza de Loures. Eu a conheci em 1994 quando estive em Portugal e passei um mês em Loures, embora minha dormida deu-se em Santo Antonio dos Cavaleiros. Certa noite, em culto na Igreja de Alvalade, o Pastor, hoje Apóstolo, Jorge Tadeu narrou um acontecimento envolvendo Dona Tereza. Disse ele:

- Certo dia, entrou em meu gabinete uma senhora aos prantos. Procurei acalmar a anciã (devia ter lá seus setenta anos) e perguntei a razão de tanto desespero. Então, ela me disse que recebera a conta telefônica do mês, até me mostrou o documento bancário em nome dela, e quase morrera de susto, principalmente com o valor apontado para pagamento. Era mesmo uma conta altíssima. Logo perguntei o que ela fizera para ter gerado conta tão astronômica, interurbanos, chamadas ao Brasil ou o que? Entre lágrimas e soluços ela me disse com olhar desesperado: Não Pastor, o senhor não está a entender. Não é  só a conta que está a me preocupar. Oh raios! Então por que estás a chorar? Perguntei curioso. Acontece que eu nem telefone tenho, nem nunca tive, respondeu a velha.

Na hora, dei boas risadas junto a malta, mas confesso ter ficado com uma ponta de dó da velhinha. Passou, nos dias seguintes mergulhei no trabalho de implantação das redes junto com o Rato e esqueci da mulher de Loures. Certo dia, almoçando no restaurante do Seu Amândio, sempre na companhia de Jorge Tadeu, esposa e filhos, lembrei do caso de Dona Tereza e resolvi indagar o futuro Apóstolo sobre a mulher. Ele me informou que ela morava justamente ali, ao lado do restaurante e que se desejasse, poderíamos tomar o cafezinho na casa dela, inclusive porque ela não cobrava, enquanto o Amândio… Achei que ele estivesse brincando, mas quando saímos do lugar, ele pegou-me pelo braço e me puxou até uma casa, alguns metros à frente. Bateu palmas e gritou: Olha lá Dona Tereza que aqui está o Pastor Tadeu e uma malta para tomar seu café saboroso.

Então fui apresentado à Dona Tereza de Loures, a última cristã crente ainda viva nesse mundo (pelo menos, naqueles dias). Naquela tarde, ficamos na casa dela menos de uma hora, apenas o tempo dela coar o café e servir a todos, com a ajuda da Christel, esposa do Jorge Tadeu. Mas notei que ela era uma senhora especial. Dava ao pastor, honras de servo de Deus e aos demais, nada menos. Quando o pastor nos apresentou, ela me disse: Jesus Cristo o ama muito e está a zelar por si e por sua família lá no Brasil, pode confiar. Fiquei encantado e fiz da idéia de tomar café com ela após o almoço ou o dia de trabalho, uma rotina diária, enquanto estive lá. Em troca, recebi pérolas de uma crença vinda, sabe-se lá de onde.

Pretendo contar as histórias e crenças de D. Tereza de Loures, que puder lembrar, pois não tive coragem de levar um gravador, à altura, em uma série de posts, intercalados, com seu nome como rubrica. Acompanhe.

A Duda partiu para a eternidade.

datePosted on 14:01, novembro 8th, 2009 by Lou Mello

Aprendi, muitos anos atrás, que a morte é uma decisão. Pouco antes de ir dormir, por volta das quatro e meia da manhã, ajoelhei ao lado da Duda e tive meu ultimo papo com ela. Disse-lhe palavras de conforto enquanto ela me transmitia sua derradeira mensagem, através de um olhar sereno e conformado, de alguém que diz: “Fique tranqüilo, estou pronta para partir em direção à minha nova morada”.

De qualquer modo, percebi que mesmo em seus últimos momentos ela estava mais preocupada comigo do que com ela mesma. É mais uma qualidade rara em nós humanos, enquanto os cães a tem em abundância.

Lembro que cheguei a pensar que Deus não havia atendido minhas orações, mais uma vez. Mas prefiro me consolar imaginando que do jeito dele, elas foram atendidas.

Ela viveu uma vida normal de cadela. Foram quase doze anos e morreu tranqüila, então, em sua casa e ao lado das pessoas que mais amava. Bom, eu penso assim. Tento não ser egoísta nesse momento. Estou preocupado com a Dedé, Carolina, Pedro e Thomas, eles estão sentindo muito. Entretanto, a consciência de que não vou tê-la em minha cama todas as manhãs, sempre vindo para me desejar bom dia e lembrar-me de seu amor incondicional por esse picareta, incapaz de dar-lhe, pelo menos,  mais conforto em seus últimos momentos, não acontecerá mais.

Imagino que não deve ser nada fácil ser Deus. Ter que levar a cadela de estimação de uma família a fim de poupar, não só o cão, mas as pessoas também, em que pese o sofrimento inevitável de todos. Espero que seja isso. Ele precisou decidir perder seu Filho amado para o bem de todos e deve saber bem o que fazer nessas horas. Nós nunca estamos preparados para lidar com a morte, seja de nossos entes queridos, de nossos animais de estimação e muito menos a própria. Para esse fato não há consolo, só conformação.

Nessas ocasiões, fica absolutamente claro o quanto essas questões relacionadas à Igreja, relacionamentos, crenças, dogmas, sentimentos, dinheiro, etc., não tem nenhuma importância diante da vida. Espero não precisar perder mais nada, nem ninguém para aprender sobre ela, e os caprichos do criador dela.

Agradeço a todos que se preocuparam, uniram suas orações às nossas e estão tristes conosco. Que Deus abençoe a todos nós.

Pensa, pensa que sai!

datePosted on 10:20, novembro 6th, 2009 by Lou Mello

Duda


E, aproximando-se dele um escriba, disse-lhe: Mestre, onde quer que fores, eu te seguirei. E disse Jesus: “As raposas têm covis, e as aves do céu têm ninhos, mas o filho do homem não tem onde reclinar a cabeça”.

Em algum ponto de minha trajetória, descobri que educar era ensinar a pensar sobre tudo. Motivou-me a postura de Jesus, e até a do Pai dele, aparentemente, sempre forçando a barra no sentido de levar suas crias a pensar. Havia um professor no cursinho, essas aberrações de “ensino” a que fomos subjugados em nossa juventude, que gritava o tempo todo: “Pensa que sai”. Era grosseiro como o Lula (palavra do Caetano), mas sábio, ao contrário do nosso bizarro presidente.

Nossa filha (a primogênita) já estava nesse mundo quando a coisa aconteceu e ela não desfrutou muito da novidade. Foi o Pedro (o segundinho) quem vitimei 100% com minha nova teoria. Nunca respondi as perguntas dele, fiz o cara pensar, desde o primeiro instante. Com o Thomas (o caçula) fui mais indulgente, primeiro por causa da cardiopatia dele e depois porque já estava, secretamente, em dúvida com minhas teorias educativas.

Em 1984, participei de uma jornada de missões lá na Faculdade Teológica Batista, organizada pela esforçada Barbara Burns e que teve a presença de dois professores de missões, um indiano chamado Theodore Willians e a celebrada professora norte americana Dra. Louise Mackiney. O indiano me impressionou, como quase todo indiano faz, com sua reverência e devoção oriental, mas a Dra. Louise arrebentou as minhas ultimas estruturas reacionárias e autoritárias. Liquidou com meus conceitos do professor estrela sabe tudo e das aulas expositivas. O Vocacional já havia feito um serviço medonho em meu interior nesse sentido e ai veio a Louise para rebocar a parede do meu equilíbrio psicológico e teológico com suas idéias subversivas em favor do livre pensar, da participação e do viver democrático, mesmo em meio ao reacionário e dogmático ambiente cristão protestante.

Entretanto, não seria justo condenar a querida Dra. Louise e o vocacional, apenas. Mesmo escondidinho em seu canto bíblico evangélico, Jesus tem a culpa maior por eu ter me tornado nesse ser tão pouco ortodoxo. Claro, talvez eu tenha me equivocado redondamente em minha pseudo hermenêutica e entendido tudo errado, com minhas interpretações tacanhas. Enquanto o Lula fugiu da escola por preguiça e prazer na ignorância, eu fugi pelos motivos opostos, embora ainda tenha sido vítima da PUC, da FEFISA, da FTBSP, da GV e, mais recentemente, da UNISO e todos aqueles professores horrorosos e suas aulas expositivas. Só eu mesmo para aturar tanta imbecilidade.

Não sei quais foram os mestres de Jesus, sei que ele os teve, fora seu saber divino, algo relevante a meu ver. Não sou daqueles partidários de um Cristo meio homem, meio Deus, a tal Doutrina das Duas Naturezas, capítulo único no livro “A Pessoa de Cristo” do irreverente Berkouwer, que de tanto manusear, tem as folhas e capas caindo a cada fuçada e, tampouco, desejo fundar outra kenosis (esvaziamento de Cristo). Prefiro pensar, lá vou eu de novo, que Jesus desejava nos ensinar essa presente possibilidade, ou seja, através desse ato incomum, pensar, sermos capazes de lançar mão do saber celestial: Pensa meu, pensa que sai!

Então vem um cara, meio patzo, meio Woody Allen, meio Lou, e diz ao mestre essas ignóbeis palavras: “Aonde quer que fores, eu te seguirei.” Foram palavras tão ridículas que figuram na Bíblia até os nossos dias. Mas foi a resposta de Jesus, embora nada lhe tenha sido perguntado, que me impressionou sobremaneira. O Nazareno disse algumas palavras, aparentemente, desconexas ao puxa-saco da hora e suspeito veementemente que sua intenção possa ter sido levar o infeliz a pensar. Né não?

Para pretejar mais ainda a situação, suspeito também que esse nosso diretor espiritual continue utilizando-se desses mesmos métodos ultrapassados até hoje. Nossa cadela pastor alemão, a famosa Duda, está paralisada com uma das patas do tamanho da pata de um leão, em nossa sala de estar e sobre um colchonete qualquer. Dois veterinários formados nos bancos de escolas avessas ao livre pensar, sem olhar possíveis exames, embora os tenham preconizado, diagnosticaram que ela deva ser portadora de câncer. Sem a grana necessária para fazer o que qualquer ser humano sensível faria, levá-la aos exames e posteriores tratamentos, tenho dividido meu tempo em assistir a derrocada de uma linda e docilíssima cadela e orações intercessórias ao meu Deus, via Jesus Cristo, em favor dela, apesar de ser apenas uma cadela. Descuple o trocadilho, fora de hora.

Pasmem, nem assim ele muda seu método heterodoxo de educar. Varia entre não responder, ou ficar repetindo que “As raposas têm covis, e as aves do céu têm ninhos, mas o filho do homem não tem onde reclinar a cabeça”. Não sei se repararam, mas Jesus não gostava muito de cães. O negócio dele era mais com as ovelhas, para ódio dos criadores de gado. Pelo menos não sei de nenhum personagem canino nos evangelhos. No Antigo Testamento, esses animais eram do mal, pois serviam de exemplo da prática insistente do homem em seu pecado: os cães voltam para lamber o vômito. Deus deve tê-los condenado a servir ao homem, secretamete, por causa desse pecado horrendo de lamber aquela coisa nojenta. Mesmo assim, eles continuam nessa prática, Duda inclusive.

Bom é isso. Agora, cansado de pensar e esperar, vou passar o chapéu. Se você leu isso antes de ser contatado, não atenda meus telefonemas, nem leia meus E-mails ou recados nos sites de relacionamento, sob risco de ser convidado a contribuir para a campanha: Salve a Duda.

lousign