Quem acredita em tradição, constância e permanência cibernética?

O Fábio Adiron, consultor competente e super antenado, recomenda-nos a leitura desse post aqui
onde o autor levanta a bola sobre a possível diminuição de interesse dos internautas brasileiros pelas redes sociais, blogs e internet em geral. Se não me engano, o escritor orientou-se por informações originadas pelo IBOPE, fonte na qual demonstra certa desconfiança e nisso, ele tem minha solidariedade total.

Não vi nenhuma pesquisa, do IBOPE ou outra qualquer, sobre o tema. Leio por aí sobre a expansão web em várias direções e todo mundo parece não se cansar de evidenciar a contundente participação brasileira nessa história, apesar dos políticos brasileiros, com a taxação via FAPESP, provedores e empresas de banda larga; a própria banda larga é ridícula quando comparada às de muitos países, além de lenta e inconstante, consegue ser uma das mais caras do mundo, no que é acompanhada por outros itens rentáveis, como o celular, combustíveis e eletrônicos em geral.

Minha avaliação é muito mais doméstica, tomando por base meu blog, as redes sociais que participo e as atividades que desenvolvo na Internet. A Gruta, embora tenha alcançado boa freqüência por parte de visitantes, os quais considero como leitores, nunca foi pródiga em comentários. Não sei exatamente qual seja a razão, mas a proporção entre visitas e comentários sempre foi extremamente baixa. Talvez seja a temática, meio perdedora e baixo astral, ou minha intransigência com as igrejas e pastores das elites. Responder aos comentários pode ser uma faca de dois legumes, também, pois se você tem aqueles comentadores que se ofendem se seus comentários não são respondidos, do outro lado há o pessoal que morre de medo das minhas respostas irônicas e estes podem estar em número muito superior aos primeiros. Também houve o episódio em que algumas leitoras resolveram sair da esfera digital e intervir na esfera real, inconformadas e com o propósito de ajudar o personagem central da Gruta a deixar de ser um pobre sofredor grutense e não receberam bem minha atitude de cortar esse grande mal pela raiz. Sou pobre e orgulhoso. Além do que, prefiro mil vezes estar só em minha Gruta preferida do que assentar-me na roda dos escarnecedores ricos e prepotentes. O fato de não gostar do Lula presidente também deve dar sua parcela de contribuição nessa questão, afinal as pessoas não se conformam com um cara meio de esquerda adotar essa postura. Mas acredito na bíblia e ela me ensinou que o povo padece sob o governo dos incompetentes. Isso não isenta todos os governos anteriores, talvez com uma ressalva, de Juscelino Kubitschek de Oliveira, que junto com Adhemar de Barros seriam os dois únicos melhores políticos que já pisaram nosso solo nada sagrado, com os defeitos inclusos.

Bom que se diga, aprendi com uma pobretona mãe de uma das crianças da Creche Municipal Fernão Dias onde fui diretor que todo pobre vive de olho na oportunidade de enricar e, embora isso dificilmente aconteça, quando acontece, leva a figura de mala e cuia, transformando-a em uma tenaz perseguidora dos pobres e sofredores. Um velho amigo costumava lembrar que todo bom cobrador é um potencial mau pagador, quando não o é de fato. Estou querendo dizer que ricos esnobadores de pobres, muito provavelmente, vieram da ralé. Esse fenômeno, por mais paradoxal que pareça, acontece no seio da Igreja tanto quanto em qualquer lugar. Temos um bom exemplo disso na presidência atual. Assim sigo com o livro do Napoleon Hill (Pense e Enriqueça) entre os meus livros de cabeceira e como um dos que mais leio e cujas recomendações tenho seguido e percebido boa diferença. Se enriquecer, apesar do pouco tempo que me resta, já tenho uma boa lista de pobres que pretendo perseguir.

Mas, voltando ao tema central, minhas barbas sempre andaram de molho em relação a essa marca registrada bem tupiniquim de não esquentar banco em lugar nenhum e não será a Internet que irá nos mudar. Isso ficou muito claro para mim nos tempos dos boliches, uma casa de diversão onde o objetivo principal é jogar boliche, um jogo danado de gostoso de jogar. Tenho certeza que todas as pessoas de minha geração sabem do que estou falando, o fato é que lá pelos idos dos anos setenta até meados de oitenta, abriram milhares de Boliches em São Paulo e no resto do País e quem não jogasse boliche, naquele tempo, era considerado um pobretonas doidivanas. Os boliches sobreviveram pouco, infelizmente. Então, não me surpreende essa evasão de comentários, a perda de interesse pelo Orkut e daqui a pouco pelo Facebook,  Twitter, bem como pelos blogs, em franca decadência.

Bom que se diga que sinto muito a falta de alguns comentaristas. De outro lado, também deixei de comentar em muitos blogs, um pouco por falta de tempo e outro pouco pela falta de reciprocidade.

O Orkut foi legal um tempo, principalmente por possibilitar muitos re-encontros, mas com o passar do tempo, a máxima de que é melhor deixar os mortos no cemitério prevaleceu e a rede foi para o espaço ou está a caminho. As outras terão esse fim, também, inclusive a recém criada Gruta. Espero que seja eterna enquanto dure.

Esse assunto está longe de ter um fim, pararei por aqui, certo de que poucos chegarão a tanto, embora ainda houvesse muito a dizer.

Danem-se os constantes e suas tradições ridículas

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A Gruta precisa ser uma Rede Social

Hoje esse post estará espalhado pelos meus blogs. Se precisasse escolher entre manter o blog tradicional ou a Rede Gruta, sem dúvida a Rede seria a minha escolha. Pena que o pessoal fique hipnotizado sem saber se adere ou não. Não perca tempo, saia do armário e faça seu registro na Rede Gruta. Na verdade, nós (leitores, comentaristas, anônimos, etc.) já somos uma rede. Falta conhecermo-nos, conversar, fazer eventos, fóruns, whatever.

Não sei se a Bíblia profetizou as Redes Sociais explicitamente, mas tenho sérias desconfianças de que ela contém pistas dessa ferramenta incrível, presente em nossos dias. Particularmente, vejo a Rede Social trabalhando a serviço da Igreja, não especificamente daquele prédio horroroso onde seu pastor mandou escrever Igreja dos Santos dos últimos dias ou algo assim e onde acontecem aqueles sacrifícios dominicais, tão agradáveis a Deus, particularmente naqueles em que a tal irmãzinha resolve fazer um solo enquanto o pastor baba.

Mas não é só a Igreja que pode beneficiar-se delas, mas todos os segmentos, como saúde, educação, governo, meios de comunicação, etc.). A educação será revolucionada a partir das redes sociais, no meu modesto entender e a igreja idem.. Não tem sentido mais a escola continuar com o monopólio dos diplomas, já que o conhecimento está sendo pulverizado via redes.

Hoje está acontecendo um grande congresso envolvendo esse tema, também. Eu deveria estar lá, mas o capeta não o permitiu. Ele morre de medo de me dar liberdade de ação. Abaixo o vídeo da entrevista onde o Augusto Franco, um dos principais ativistas das Redes Sociais, no país, fala sobre o evento. Acho que você deveria gastar os próximos dois minutos vendo e ouvindo o que ele disse a respeito.

Abração

Lou Mello

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Vinhas da Graça

Algumas frases de Jesus Cristo arrebentam com a lógica de doutrinas teológicas, uma delas, entre as minhas preferidas, é: “Porém, muitos dos primeiros serão os últimos, e muitos dos últimos, primeiros.” Ela aparece duas vezes, em exemplos aglutinados por Mateus, o do jovem rico e dos trabalhadores na vinha (caps 19 e 20), afinal muitos serão chamados, mas poucos escolhidos, completa.

Nunca saberemos, ao certo, o que o mestre desejou dizer com esse final, no máximo conseguiremos especular com nossas idéias tacanhas, sem nunca chegar a arranhar sua verdadeira intenção. Mas gosto de pensar que Bill Gates, Rick Warren, Ed e Ricardo, hoje primeiros, serão os últimos a receber e ainda receberão o mesmo que eu e a maioria dos leitores da Gruta, no final. Num ponto, se não em todos, ele estava certo, boa parte dos chamados nunca serão escolhidos, pelo menos nesse plano, onde o valor é concedido na base das realizações, da beleza, da cor e da capacidade de adaptação aos sistemas vigentes.

Por alguma razão, sem explicação, nasci com defeito congênito, não um desses mesquinhos e sorrateiros que roubam a vida de nossos filhos e amigos corroendo-lhes o corpo, mas nasci sem a capacidade de me adaptar. Não me adaptei aos meus pais, nem à escola e muito menos ao sistema trabalhista de meu país. Mesmo nos momentos em que estive subjugado em uma dessas masmorras, interiormente nunca me dobrei aos senhores da grana. Claro, o preço disso é óbvio, mas nunca houve um não alinhado que não tenha pago uma conta ácida por sua opção liberal e desalinhada.

O jovem rico e os trabalhadores que foram convidados ao trabalho, logo no início do dia, eram adaptados e, talvez, nunca suportassem a dúvida e muito menos o despojamento das pessoas humildes e dissidentes. Jesus mencionava esses detalhes de olho no Pai e sua implacável justiça inerente.

Aos que me condenam por minha vagabundagem não opcional, ofereço o meu Deus e sua maneira peculiar de avaliar os fatos. Ele nunca pisará um tribunal humano ou, muito menos, participará de uma daquelas sessões que ocorrem nessas casas de horrores. Simplesmente dirá ao jovem rico: ” vai, vende tudo o que tens e dá-o aos pobres, e terás um tesouro nos céus”, sabendo que ele jamais o fará. Aguardarei até o fim do dia, certo de que ele virá, ainda que quase na hora undécima e não só me chamará para o trabalho, como me pagará o mesmo que foi pago a quem passou o dia todo na vinha.

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Deus estava em seu retiro de carnaval

A grande verdade é conhecida, ou seja, boa parte do discurso político é pura cascata.

Ontem, levamos nosso filho ao INSS, onde estava agendada uma entrevista com uma Assistente Social. Posteriormente, ele deveria passar por uma “perícia médica”. A finalidade de tal tentativa é conseguir alguma independência para ele, sobretudo, manter o próprio plano de saúde. Apesar de todo nosso esforço e a ajuda de alguns amigos e parentes, não chegamos a conquistar uma estabilidade. Além da mensalidade, é preciso uma poupança que permita arcar com os custos eventuais não cobertos pelo governo ou o plano de saúde.

O INSS melhorou muito em termos da estratégia de atendimento. Agora você agenda seu atendimento e isso excluiu as imensas filas que costumávamos ver antigamente. Bom, a assistente social nos atendeu assim que chegamos e o fez com graça e consideração. Depois de completar o serviço dela, agendou a perícia para dali a dez dias. Entretanto, antes de nos dispensar, resolveu verificar se era possível realizar a perícia médica, ontem mesmo. Voltou feliz, pois lograra êxito.

Depois de uma espera de quinze ou vinte minutos, ocasião em que testemunhamos pessoas que saiam das salas dos médicos insatisfeitas, nosso filho foi chamado. Pelo sim, pelo não, eu levara a pasta com resultados de exames dele comigo, embora desatualizados. Vale lembrar que o problema dele é congênito e anatômico, ou seja, ele não tem só um problema patológico (uma doença) mas um grave e complexo problema anatômico que causa uma patologia complicada e de alto risco.

Logo que entramos na sala, o médico (como soube, tratava-se de um ortopedista) me dispensou. Argumentei que eu era o arquivo de meu filho em termos do problema e o cara preferiu me deixar ficar.

- Então, qual o seu problema?

- Sou cardiopata.

- Desde quando?

- É congênito.

- Que tipo de cardiopatia?

- Meu pai explica…

- Uma Dupla Via de Saída do Ventrículo Direito, com transposição dos grandes vasos, estenose na pulmonar, CIVs múltiplos, distúrbio valvar, etc…

- E o que aconteceu?

- Passei por duas cirurgias…

- Quando?

- Uma aos oito meses e outra aos oito anos.

- Posso ver o laudo médico?

Então iniciou-se uma dança estranha, entreguei o laudo da médica responsável pelo atendimento aos cardiopatas congênitos de Sorocaba e região, tanto do Estado quanto da Prefeitura, datado em outubro de 2009, o mais recente que possuíamos e mostrei-lhe um Raio X, a última tomografia (2007) e o último Eco (2008), também. Como o problema é congênito, ou seja, está lá desde o nascimento, há vinte e um, e a última cirurgia aconteceu em 1996, esses exames garantem que ele tem um problema e tanto. Estoicamente o médico resolveu medir a pressão e precisou procurar o aparelho que não estava à mão e depois perguntou se ele tinha alguma dor. Informado do desconforto nas pernas, pediu para levantar as pernas da calça e viu o estado crítico delas. Chegou a fazer um diagnóstico precipitado e equivocado de trombose.

A seguir fez duas afirmações preocupantes:

- Os exames são “todos” muito antigos.

- O laudo do RX diz que está normal.

Isso me deixou inseguro quanto à liberação do benefício. Tenho certeza que é esse senhor quem decide tudo. Saberemos em uns quinze dias o que ele decidiu.

E Deus ainda não voltou da pescaria de Carnaval. Dizem que ele faz isso, todos os anos, para livrar-se dos tais retiros, uma chatice.

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Tratar dependentes químicos causa dependência

Recém formado pela Faculdade de Educação Física de Santo André, consegui meu primeiro emprego fora do circuito das pré-escolas particulares, era uma clínica de “recuperação para dependentes químicos”. Meu trabalho era fazer os caras se mexerem, promovendo as trocas gasosas (um exercício meio em desuso, se é que isso seja possível) e um pouco de relacionamento com espírito esportivo.

Não demorei muito a perceber que, em termos de causar melhora absoluta e eficaz, meu trabalho tornara-se imprescindível. A ele somava-se a alimentação rica em carboidratos e o sono abundante. As intervenções psico, sejam lógicas ou átricas contribuíam negativamente no processo, apenas causando demora e inviabilizando os recursos naturais.

Entretanto, com o passar dos anos, o corpo de psicólogos e psiquiatras cristãos ou não agiu corporativamente e convenceu a sociedade de que essa demanda, cujo crescimento continua em ritmo geométrico, lhes pertence, apesar de seus métodos sem comprovação científica e seus medicamentos paliativos, como informa o médico palhaço Pat Adams.

O tempo passou e depois que deixei aquela clínica, por razões paradoxais e capricho divino, o diretor à época foi assassinado por traficantes, provavelmente por dívida de referente à aquisição de drogas e a chácara onde funcionava virou cidade fantasma, até que Estevan e Sônia Hernandes foram levados ao local pelo advogado herdeiro do espólio que inclua o lugar, e eles o transformaram em um centro para acampamentos e convenções da Igreja Renascer.

Em minha caminhada acabei sendo convidado pelo Pr. Inácio Marchette a trabalhar no Esquadrão Vida de Sorocaba. Agora você já sabe como vim parar nessa cidade maravilhosa, para os sorocabanos. Minha função seria restrita à área de comunicação e marketing, especialidades que acrescentei ao meu currículo a partir dos anos oitenta. Mas o Inácio mostrou-se um cara dinâmico e extremamente pragmático e tratou de concentrar seus investimentos no lado do marketing de tratamento, para a qual eu não tinha nenhum treinamento. Como me ensinou o Dr. José Cândido de Mello, meu avô paterno, contra a força não há resistência, então voltei ao tratamento de dependentes químicos e acabei dirigindo uma clínica na região de Piedade, aqui perto. Depois de um ano, consegui fechar o lugar a bem da ciência da recuperação.

O Inácio deixou o Esquadrão Vida para os evangélicos e iniciou uma clínica com fins lucrativos. Com sua habitual competência para os negócios, cresceu rápido e voltou a ser um expoente no negócio de recuperação. Devido à minha militância nessas paragens, tornei-me uma referência e continuei sendo procurado para ajudar a solucionar casos críticos. No Brasil, o tratamento começa um pouco antes do fim, o do não há mais jeito. Em linguagem de recuperação: a um passo do fundo do posso poço ou nele, propriamente dito.

As clínicas do Inácio e as outras grandes promovem tratamento onde os psiquiatras e psicólogos são as estrelas e os profissionais de outras disciplinas os coadjuvantes. Seus métodos consistem em injetar tóxicos farmacológicos, psicotrópicos e cascatas terapeuticas, em detrimentos das trocas gasosas, um sistema natural para expelir toxinas do corpo humano. Os “pacientes” passam três ou quatro meses nessas casas se preparando para voltar à ativa, em breve. Sem alternativa, sou obrigado a enviar dependentes para lá, algumas vezes a fim de ganhar tempo. Gostaria muito de fazer um trabalho via digital que atingisse escolas, igrejas, sindicatos, etc. para fazer a prevenção em tempo de evitar a dependência. Esse é o melhor tratamento para a dependência química.

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Só uma questão de princípios


Bill Gates é um cara pouco querido. Talvez seja pelo fato dele ser detentor da maior fortuna pessoal dentre os habitantes do planeta. Sabe, isso leva muitas pessoas com idéias de esquerda a odiarem o dono da Microsoft, pois seu sucesso indica o sucesso do viver capitalista e desacredita os contrários. Imagino que o pai dele disse muitas vezes aquela frase odiosa, a mesma que meu pai costumava me dizer, ou seja: “em um mundo capitalista, o ideal é ser capitalista”. Coitado do velho, o meu lógico, ele nem sabia direito o que estava dizendo, mas esperava que eu assimilasse a idéia. Como todos sabem, não deu certo e sou da turma que atropelaria o Bill na boa, esse excomungado. Se pensou em vida eterna, esqueça, a essa altura o Bill já comprou todas as indulgências disponíveis no mercado e irá para céu, enquanto você e eu nadaremos no lago de enxofre, onde há choro e ranger de dentes.

Um dos detalhes insuportaveis nele é o fato dele fazer Jesus Cristo parecer um ser mitológico e utópico. Dia desses, o Allyson descolou um texto sobre finanças na bíblia e publicou no blog dele, excelente, por sinal, desses que a gente não pode deixar de ver e ler, denominado Fé e Economia. Ched Myers é o autor, um fanático, teólogo menonita que escreve sobre uma coisa estranha chamada enviromentalismo. Imagine que ele inventou um trem chamado Economia Sabática, cujas bases ele encontrou na Bíblia. Segundo ele, no sábado (que não precisa ser um dia da semana, necessariamente) os credores deveriam perdoar as dívidas de seus devedores, segundo ele, foi por causa desse pecado (não perdoar os devedores no sábado) que Israel foi para o brejo. Depois você confere no post e na sua bíblia. O fato é que tudo que ele diz, procede, dentro do contexto bíblico judaico cristão.

Tão fanático quanto o Myers, ensinei meus alunos no seminário sobre o perdão sabático, anos atrás. Meus alunos não gostaram nadica. Era uma exposição da oração ensinada por Jesus e afirmei que o Mestre estava se reportando ao perdão sabático quando ensinou a seus discípulos aquela frase quase promíscua: “perdoa as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores.” Alguns chegaram a se exaltar, especialmente os que tiveram educação religiosa mais calvinista (espero que o Fábio não leve isso em conta), como aconteceu nos comentários lá no blog do Allysson.

Outro dia, uma mulher, ligada aos serviços de proteção ao crédito, comentava indignada sobre certas pessoas que ficam ensinando os devedores a não pagar suas dívidas, faltar às audiências e, jamais, caírem na cilada de renegociar suas pendências. Ela não leu os livros do Myers.

Mas não se zangue, depois de viver a reboque do sistema durante anos, resolvi deixar as idéias subversivas de Jesus e do Myers de lado e aderir aos princípios do Gates. Grande cara o Bill. Para começar, sou um consumidor absolutamente contumaz dos produtos Microsoft, com exceção do Explorer Internet, afinal ninguém é de ferro. Depois decidi seguir os princípios do Gates à risca, inclusive porque eles são muito mais engajados ao capitalismo perverso de nossos dias do que as infantilidades de Calvino, que pareceria um menino aprendiz perto do Bill. Pouco tempo atrás, o Bill e eu escrevemos um post a quatro mãos, lá no meu blog-site de negócios o LHM Desenvolvimento, contendo esses princípios. Claro que o Bill não faz a menor idéia sobre esse post, mas a parte dele é autêntica e a minha também, embora não tenha nada a ver com as dele, no caso.

Das onze regras do Bill, tenho particular apreciação pela oitava:

Regra 8
“Sua escola pode ter eliminado a distinção entre vencedores e perdedores, mas a vida não é assim. Em algumas escolas você não repete mais de ano e tem quantas chances precisar até acertar. Isto não se parece com absolutamente NADA na vida real. Se pisar na bola, está despedido… RUA !!!!! Faça certo da primeira vez!

O conjunto da obra é o oposto às pieguices infantilizadas evangélicas tipo: Buscai primeiro o Reino de Deus e as outras coisas vocês serão acrescentadas. Acreditei nisso e me dei muito mal, enquanto alguns colegas de seminário preferiram o conselho do meu pai e do pai do Gates. Trataram de criar e/ou copiar doutrinas dos propósitos e abriram igrejas no Morumbi e na zona oeste de São Paulo e agora vestem Prada. Estou decidido a me pautar pelas diretrizes do Bill e ponto, para horror do Steve Jobs, do Brian Maclaren e do Myers, sem falar no filho de Deus.

Desculpe, mas vou parar por aqui, pois está na hora da minha devocional, ler a bíblia e orar. Nada melhor para uma segunda-feira feia como essa.


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Rede Gruta

Se você desejar fazer um velhinho muito feliz, sem precisar gastar nem um centavinho, venha participar da Rede Gruta.

Trata-se de uma Rede Social, cujo diferencial é não ter outro interesse que não seja o relacionamento entre as pessoas amigas da Gruta. Funciona como as outras, você faz seu perfil, insere sua foto mais recente, retocada ou não, suas fotos familiares, seus vídeos, bate papo on line com quem desejar, escreve seu blog (sem precisar cancelar seu blog habitual) e muito mais.

Ah! Além de aderir, gostaria de incentivar você a convidar seus amigos (gmail, MSN, Yahoo, etc) a fazerem parte, também.

Ah 2! A Gruta blog segue como sempre. No blog existente em meu perfil lá na Gruta Rede, escreverei coisas pertinentes à rede only.

Gostaria de ver (e conhecer) todos os leitores da Gruta blog lá, inclusive os anônimos.

Espero você lá.

Beijo estalado em vossa bochecha.

Lou

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Outra mensagem

“Por muitos anos tenho andado à procura de algo. Podem chamar isso de busca espiritual ou talvez até de obsessão pessoal.

O objetivo da minha exploração é o de compreender Jesus — e especialmente sua mensagem. Não, de modo algum acho que ela poderia caber por inteiro em minha mente limitada.

Não se trata de tentar fazer com que sua grandiosa mensagem caiba por completo dentro de mim, mas de tentar me colocar por inteiro dentro da mensagem de Jesus”.

Brian D. McLaren

Também li Mateus 6:33 e decidi buscar o Reino de Deus, mesmo sem saber o que e onde. De repente, me toquei e comecei a perguntar se estava na direção certa. Já fiz coro contra muitos, os quais julgava estarem em rota equivocada, mas há uma grande possibilidade de eu mesmo estar caminhando na direção contrária a Nínive. Trabalhei como professor de Educação Física, fui diretor de creches, tive empresa, dei aulas de teologia e fui pastor de congregações batistas, além de missionário em missões internacionais e virei consultor, e no meio de tudo isso devo ter anunciado o evangelho errado, pois não tinha captado o sentido completo da mensagem do Mestre.

Sempre desconfiei haver algo mais por trás dos atos e palavras descritos nos evangelhos em relação a Jesus de Nazaré. Entendo que o Brian está certíssimo quando concluí ser necessário inverter o processo e buscar colocar-se por inteiro dentro da mensagem de Jesus. Não é um processo de adaptar a mensagem a mim, seguramente. Requer mudança, e bem lá no âmago de cada um.

Nisso, só posso falar por mim. O Alex Fajardo citou o tema das palestras de carnaval do Pr. Ricardo Barbosa na igreja do Ed : “Hábitos que Transformam“, onde ele cita uma entrevista feita com o John Stott por ocasião de sua segunda vinda ao Brasil, em 1989 e algo marcante que o velhinho teria dito: “Leio a Bíblia e oro todos os dias, vou a igreja todos os domingos e nunca falto à celebração da Eucaristia.” No mesmo texto, ainda, cita Tozer: “Deus fala com o homem que mostra interesse’. Isso me fez lembrar o C. S. Lewis freqüentando persistentemente uma pequena capela durante anos, onde se postava atrás de uma coluna para não ser notado. Nestes anos todos de rebeldia contra a igreja organizada, nunca me faltou vontade de fazer minha devoção anonimamente, e acho que fiz, não com a constância de um Stott ou de Lewis, claro, mas pretendo melhorar nesse ponto.

Talvez tenha chegado a hora de incluir mais dessas práticas em minha agenda e deixar claro ao divino qual seja o meu propósito, quem sabe Deus não resolve dirigir-me algumas palavras, sobretudo, deixar claro minha disposição de adaptar-me à mensagem, especialmente, encontrar a mensagem real em meio a todas aquelas palavras, aparentemente, desencontradas. Creio firmemente que a tarefa não seja tão complicada, mas torna-se impossível se não me disponho a aceitar novos paradigmas e idéias, para posterior reflexão e conhecimento. Jesus foi absolutamente inovador e mexeu nas bases do templo, e não falo só do templo de pedras, mas do templo do novo testamento, construído com pedras vivas, principalmente.

Essa mensagem está presente nos evangelhos e preciso da ajuda divina para enxergá-la e coragem cheia de fé para divulgá-la. O mundo costuma rejeitar a mensagem verdadeira.

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A janta tá na mesa

Sentado nas cadeiras de espera em uma agência da Caixa Econômica Federal, de repente, bati o olho em dois senhores na fila de retirada de senhas. Aparentemente não se conheciam, mas eram parecidos. Provavelmente com dez anos mais do que eu, tinham a cabeça toda branca, eram magros e portavam um imenso chaveiro preso ao cinto da calça. Fiquei imaginando quais suas possíveis atividades e, embora não tenha chegado a conclusão alguma sobre isso, uma coisa é certa, os dois estavam completamente convencidos de suas tarefas, como se o fim da vida não estivesse se aproximando inexoravelmente.

À noite, como costumo fazer às segundas-feiras, postei-me na frente da melhor obra do diabo no Século XX, a TV, para assistir a mais um programa Roda Viva. Coincidentemente, o entrevistado era o pianista – maestro João Carlos Martins, hoje um grande ativista da música clássica junto às classes menos favorecidas. Às tantas ele declarou: “decidi re-inventar minha vida aos sessenta anos, depois de descobrir que não poderia mais tocar piano”; fez mais, disse que seu pai vivera 102 anos e não tinha porque desejar menos e sentia-se cheio de energia para, aos setenta anos, estar cheio de planos.

Nos dois casos, o que se vê são sistemas de crenças parecidos. Embora a limitação tênue da vida seja liquida e certa, vivemos como se tal não fosse. Para os cristãos e as religiões adeptas da Vida Eterna parece haver certa confusão ou mesmo negação em relação à morte, como se ela fosse a falácia. Mas isso ainda não me parece ser o pior, o que mais me surpreende é nossa absoluta redenção aos moldes da sociedade pós-revolução industrial. Casa – emprego – igreja – casa para os adultos e casa- escola – igreja – casa para os menores. Aqueles dois senhores no banco, o maestro pianista e eu poderíamos estar em uma praia, de papo para o ar, tomando uma geladinha até quando o sol permitisse e depois à sombra deitados em boas redes observando o formato lúdico das nuvens, até alguém com voz feminina gritar: a janta tá na mesa.

E quem pagaria a conta? Os três velhinhos, digo quatro, do meu ontem e todos os seus similares, todos crentes em vida eterna.

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A penúltima tentação de Cristo

Em entrevista, Humberto Maturana, atual guru dos adeptos das redes sociais, relata sua experiência durante um exercício de meditação em que observou esse quadro de Jerônimo Bosch e concluiu que as figuras em volta de Jesus seriam tentações em formas humanas. Cada um desses personagens representariam uma tentação como, a superficialidade, o valor, a cobiça e por último, que só lhe ocorreu tempos depois, a certeza.

O saber implica em certeza e vivemos em um mundo onde o saber está altamente valorizado. Para Maturana, a diferença entre saber e conhecer é justamente a questão da reflexão e afirma: quem sabe não reflete. Em outras palavras, não questiona os fundamentos de suas certezas. Se não pratico a meditação, não saberei a diferença entre saber e conhecer. O saber nega a reflexão. Quem pensa saber muito, não reflete, diz.

Segundo ele, no mundo atual o saber concede poder e não refletimos para saber se os fundamentos que temos são adequados ou não. Os cientistas e os militares não refletem sobre o fazer porque isso modificaria seus atos. Se questionar seus fundamentos, certamente modificará suas atitudes e questionar meus fundamentos é um ato libertador.

Perguntado se Jesus teria caido na tentação da certeza ao afirmar que era o caminho, a verdade e a vida, cita duas passagens do evangelho, primeiro a do Reino de Deus ser como um grão de mostarda que quando semeado torna-se uma árvore frondosa onde os pássaros se aninham, significando o valor do desapego, pois o apego nos impede de refletir e a outra quando Jesus diz à mulher: a tua fé te salvou. Jesus estaria dizendo, foi você e não eu.

Isso me lembra a questão dos impulsores, matéria obrigatória no discipulado à moda Zenon Lotufo Jr. São eles:

Seja Perfeito

Quando essa mensagem soa em nossas mentes, esforçamo-nos para atingir a perfeição em tudo o que fazemos. Mas não há limites para atingir a perfeição, nada nos parece suficientemente bem feito, o que impede que nos sintamos satisfeitos com nossas realizações. O impulsor pode, também, dirigir-se para fora, isto é, exigir perfeição dos demais. É comum ele soar: Ah, se eu fosse perfeito!

Seja Forte

Essa mensagem faz com que a pessoa bloqueie seus sentimentos autênticos, ela proíbe que nos mostremos fracos ou necessitados de ajuda.

Apresse-se

As pessoas submetidas a este impulsor necessitam fazer todas as coisas “nesse mesmo momento”; são impacientes e não toleram nenhum tipo de espera.

Agrade Sempre

A pessoa que tem esse impulsor em posição de destaque tem grande dificuldade de afirmar-se diante dos outros. É quase impossível dizer não, para eles. A aprovação dos demais é de vital importância para ela. São os que costumo chamar de obnóxios.

Esforce-se mais

A mensagem interna diz que tudo é difícil de fazer. A pessoa que tem esse impulsor tenta, tenta, mas raramente leva a cabo seus empreendimentos. É muito comum nos procrastinadores.

O Zenon e eu, em nossas conversas, costumávamos definir as pessoas pelos seus impulsores característicos, por exemplo, o Ricardo é um tremendo Seja Forte, o Ed, aquele Seja Perfeito ou o Lou, esse baita esforce-se mais. O fato é que, todas os impulsores são negativos e podem levar as pessoas ao manicômio ou ao suicídio. Sob o olhar do Maturana e suas tentações, as pessoas cheias de saber e sem nenhuma reflexão, são movidas por esses impulsores.

Não cair em tentação foi uma recomendação expressa do Filho predileto de Deus e deve ser essa a razão para ela figurar na oração do Pai Nosso. Desapego e reflexão são ferramentas imprescindíveis para nos libertar da tentação da certeza,  a penúltima tentação de Cristo.

Assista à entrevista, se seu espanhol estiver em dia:

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